Pois é, essa letra do Djavan sempre disse muito sobre mim. Eu sou uma pessoa profunda e não há nada de pretensioso nisso. Não se escolhe ser uma pessoa profunda ou rasa, faz-se a apartir das circunstâncias da vida e do modo como as encaramos. Então, ao longo desses vinte e oito anos, fiz-me assim profunda. Mas, ultimamente, me esqueci dessa profundidade e tenho vivido no raso. Porque viver no raso é fácil, mais cômodo, menos dolorido.
O raso nos permite curtir a vida, se divertir, implicar menos, problematizar menos, enfim viver mais leve. Mas, como não podemos negar a nossa essência, quando se é profundo e escolhe-se ficar o raso, há perdas significantes. E a minha perda foi justamente a inspiração e a capacidade de escrever. Para escrever eu preciso ir fundo, eu preciso mergulhar e me deixar levar pelas águas turbulentas, eu preciso fazer dos copos d'água tempestades, eu preciso problematizar, implicar, criticar. E é assim que eu sou. Então, não adianta querer ser diferente. Portanto, agora escolho deixar as águas claras e mergulhar fundo dentro dos meus sentimentos e voltar a ser eu: profunda, intensa, louca, sentimental. Só assim, posso voltar a escrever: a coisa que mais me dá prazer na vida e que faz ela realmente ter sentido.
Abraços a todos,
Imcompreendida
*Seduzir - Djavan



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